Meu dia começa azulquando voce passae derrama sobre mimesse seu riso de flor!(Arnalda Rabelo)
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação.
O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.
Mario Quintana
Pelas tardes azuis do Verão, irei pelas sendas, Guarnecidas pelo trigal, pisando a erva miúda: Sonhador, sentirei a frescura em meus pés. Deixarei o vento banhar minha cabeça nua. Não falarei mais, não pensarei mais: Mas um amor infinito me invadirá a alma.
É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
No declive da escarpa, os anjos giram suas roupas de lã sobre os relvados de ouro e esmeralda. Prados de flamas saltam até o alto da colina.À esquerda, o terraço da aresta é pisado por todos os homicidas e todas as batalhas, e todos os rumores desastrosos tecem sua curva. Atrás da aresta direita, a linha dos orientes,dos progressos. E, enquanto a banda no alto do quadro é formada pelo rumor giratório e saltitante das conchas marinhas e das noites humanas, A doçura florida das estrelas e do céu e do resto desce da escarpa, como um cesto, - contra nosso rosto,e faz o abismo florido e azul lá embaixo.
Mamãe vestida de rendas Tocava piano no caos. Uma noite abriu as asas Cansada de tanto som, Equilibrou-se no azul, De tonta não mais olhou Para mim, para ninguém! Caiu no álbum de retratos.
A criança olha Para o céu azul Levanta a mãozinha, Quer tocar o céu Não sente a criança Que o céu é ilusão: Crê que o não alcança, Quando o tem na mão.
Manuel Bandeira
À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma, e na primavera, amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora.