
Pela floresta de grutas e rochedos,
noite a dentro, vida a fora, ambas inteiras,
comigo meus cães, meus gatos, meus medos e desejos
e do candeeiro, a luz, em corpo esguio de mulher.
Onde o pássaro azul?
No cemitério? No vale? Nalgum arvoredo?
A coruja sábia... silente.
Os mortos sonsos... sabentes.
O pássaro em canto algum da floresta,
ou da noite, ou da vida.
Sequer uma dica, sequer uma pista.
E durante a noite toda, a busca vã.
Mas, pela manhã, bem à vista
no lugar de sempre – engaiolado
e tímido, o pássaro – em casa.
Abilio Pacheco
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